Associação Desenvolve Ubatuba alerta sobre possível demissão em massa na construção civil no município

A entrevista do presidente da Associação Desenvolve Ubatuba, Cândido de Moura, que também é sócio-proprietário da Incorporadora Saint Martin, à Rádio Beira Mar, acendeu um sinal de alerta em Ubatuba. Desde o início do ano, só um projeto de construção foi aprovado pela Prefeitura da cidade e com a indefinição da Administração Municipal, segundo ele, o setor da construção civil poderá viver um processo de demissão em massa com a paralisação das suas atividades.

Na entrevista, Cândido afirmou que o trade imobiliário (que reúne a construção civil, os depósitos de material de construção, as imobiliárias e os corretores autônomos) é responsável por pelo menos 35% da economia do município e é um setor multiplicador de receita que vai desde o corretor de imóvel até o de móveis.

Destacou a importância da parceria fundamental entre o ramo imobiliário e o turístico como um todo e falou sobre a pandemia. “O mundo está vindo de uma situação pandêmica e está atravessando uma crise substancial que agora está tentando se reerguer da forma que consegue. Tive amigos de vários outros setores que beiraram ao desespero e o ramo da construção civil foi um dos únicos de um modo geral que conseguiu se manter”, disse ele explicando que aqui no Brasil, a Construção Civil conseguiu dar uma segurada também implantando os protocolos sanitários, coisa que muita gente não sabe, pois tiveram uma atuação muito importante nessas implantações de segurança sanitária. Ou seja, a Construção Civil foi responsável por manter a economia aquecida durante a pandemia.

Porém, em Ubatuba, o setor vem encontrando diversos obstáculos para manter a atividade funcionando normalmente. De acordo com o incorporador, há uma possível chance de acontecer demissão em massa na construção civil no município se a nossa prefeitura não começar a liberar os alvarás de empreendimentos imobiliários que estão “presos” desde janeiro deste ano. “Estamos sofrendo um lockdown político forçado. Temos empresas com até 5 projetos parados na prefeitura. Eles nos retornam com justificativas sem pé nem cabeça. Dizem que vão mudar, atualizar leis e nada está sendo feito. Todas as outras cidades do Litoral Norte estão tendo vários projetos aprovados. Precisamos trabalhar. São inúmeros setores e famílias que dependem da gente.”

Cândido ressalta na entrevista, entre várias outras colocações importantes,que contratou há um ano e meio uma empresa que é a maior especialista do Brasil em fazer o ranking com as cidades com o maior potencial de desenvolvimento. “Fiquei chocado com Ubatuba na última posição do PIB e da renda per capitadas quatro cidades do Litoral Norte. Teríamos que dobrar a pontuação para encostar no terceiro”, contou inconformado.

O presidente da Associação Comercial de Ubatuba, Ahmad Khalil Barakat, entende que esse problema reflete no município como um todo, pois a construção civil é de suma importância para o desenvolvimento. “Gera emprego e renda, além de fortalecer a economia de Ubatuba, é imprescindível que se resolva essa situação para também alavancá-la e possíveis demissões podem causar danos irreparáveis.”, diz Barakat.

Em uma nota enviada à Comunicação da ACIU, a Secretaria de Urbanismo de Ubatuba afirmou que em 2021, a Prefeitura de Ubatuba emitiu, por meio desta secretaria, 403 Alvarás de construção, além de 204 documentos de Habite-se. “Todos esses processos atendem às legislações municipais, estaduais e federais e sua tramitação na secretaria ocorre de forma normal. Está em fase final de elaboração a minuta de lei para implementação do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), instrumento de política pública urbanística previsto no Estatuto da Cidade, Lei N. 10.257/2001, que determina normas para construção de novos empreendimentos”.